terça-feira, 6 de abril de 2010

Branco, branco pobre



Em tempos de Páscoa, coelhinho é figura VIP, com pelo branquinho, olhos vermelhos e barrigudinho. Pois bem, esqueça essa imagem saltitante e felpuda ao assistir Gummo, com um coelho skatista, sujo e sem rumo. Estou falando de Bunny Boy, personagem do ultrajante, provocador e realista longa metragem dirigido por Harmony Korine em 1997.

O filme se passa num mocó de Ohio, uma cidadezinha chamada Xenia, que em 1974 foi devastada por um tornado e, desde então, foi abandonada a própria sorte. Assim como Bunny Boy, todos os personagens vivem à toa, numa sucessão de atos sem propósito. Eles formam o extrato do “lixo branco” americano. São jovens pobres, sem emprego, sem educação e sem futuro, que preenchem seu tempo matando animais e usando drogas.

Como o elenco é formado por desconhecidos (a única exceção é Chloe Sevigne) e por inserir relatos reais no decorrer da trama, o filme flerta com o documentário. Harmony Korine, que anos antes fez o roteiro de Kids, aproveita para fazer de Gummo uma verdadeira ode a alienação e ao niilismo de uma sociedade que desce ladeira abaixo.

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