quinta-feira, 2 de julho de 2009

Laudas e pautas



Não só de futilidades vive o YouTube. As vezes surgem coisas brilhantes, como o YouTube Reporter’s Center. A grosso modo, o canal é um "telecurso" para jornalistas, com aulas sobre ética profissional, dicas de como conduzir melhor uma entrevista, entre outros temas. O time de professores é formado por gente de quilate, como Bob Woodward, que desvendou o escândalo de Watergate.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Lykke Li

Lykke Li não precisou de muito para estourar. Bastou um visual anos 60, uma dancinha estranha e um hit hipnótico. Um pop legal made in Estocolmo.

terça-feira, 30 de junho de 2009

A trágica trajetória da estrela que caiu na terra



Texto muito bom do colunista David Hepworth que saiu no Independent.

"Existe uma teoria de que a personalidade das estrelas é congelada no momento em que se tornam famosas. Partindo desse princípio, Michael Jackson nunca teve tempo para desenvolver uma. Aos 8 anos, ele soube que passaria o resto da vida usando sua extraordinária voz como tíquete-refeição de uma família grande e disfuncional. Ele nunca poderia ter uma vida normal.

Quando ele se casou em 1994, tinha que ser com Lisa Marie Presley, a única pessoa na face da Terra que fazia alguma ideia sobre como era sua vida. Quando ele fez suas primeiras apresentações na TV, tentaram apresentá-lo como uma criança doce, mas a voz que cantava Who's Loving You sugeria alguém que já havia provado do mundo adulto.

Ao longo da vida, foi pouco convincente ao encarnar o papel de inocente, fosse se defendendo das acusações de abuso de crianças ou sugerindo como poderíamos obter a paz no mundo.

Hã três Michael Jacksons. O primeiro é o menino travesso de rosto redondo que cantava à frente dos Jackson Five em obras-primas como I Want Vou Back. Há o dançarino que serpenteava os quadris, que se reinventou como uma estrela adulta em 1979 com Off The Wall. E que repetiu o truque com Thriller, em 1982, tornando-se o maior pop star que já existiu, alcançando lugares que artistas brancos como Madonna e os Beatles não conseguiram.

E finalmente há o fugitivo internacional da lei, dos credores, da zombaria, peito cheio de medalhas como um ditador deposto, mantido à distância por superstars que um dia fizeram fila para trabalhar com ele.

O segundo desses três Jacksons é o que as pessoas costumam ver como pop. Quando ele terminou Thriller, o produtor Quincy Jones disse que precisava de mais algumas melodias. Jackson saiu e escreveu Beat It e Billie Jean.

Na versão pop de Jackson, a dança é tão importante como o canto, e o visual é provavelmente mais importante ainda. Jackson foi o primeiro pop star da era da TV. Michael Jackson dominou essa era, apesar da relutância da MTV em mostrar clips de artistas negros.

Eu o vi se apresentar no Madison Square Garden em 1988 em seu auge. O show era kitsch, ofuscante. A tour de Bad marcou o padrão para muitos shows que se seguiram. Para a geração de Justin Timberlake, Britney Spears e Girls Aloud, Jackson é Elvis, os Beatles e James Brown misturados - e 1982, o ano de Thriller, o seu Ano Zero.

Havia rumores de que no prometido retorno na arena O2 ele poderia encontrar meios de reduzir seus deveres como cantor. Ele começara a ensaiar não com os músicos, mas com dançarinos. Ninguém parecia se importar. Apenas queriam que ele aparecesse.

Um velho ditado no meio da música diz que seus mais famosos artistas são mais pobres do que se pensa ou mais ricos do que se pode imaginar. Michael Jackson estava familiarizado com ambas as condições. No auge da carreira, quando ele compunha a maior parte de seu material e vendeu mais discos, deve ter ganho mais dinheiro que qualquer pessoa no meio.

O fato de que Jackson tenha conseguido torrar a maior parte do dinheiro é difícil de acreditar. Ele nunca conseguiria recompor o que gastou, não num momento em que o mercado musical se retraiu e que o seu valor para anunciantes diminuiu por conta de aparições em tribunais. O único caminho que restava aberto para ele era o mais duro, a volta aos palcos.

Da mesma forma como os seus sucessos eram os maiores, seus desastres também não eram modestos. Ele nunca teve a figura de um administrador dos quais artistas dependem para contar-lhes algo próximo da realidade. Tudo o que fazia tinha que ser o mais extremo, o mais caro e, provavelmente, mais capaz de expô-lo ao ridículo.

Não é preciso ser cínico para prever que assim como Elvis morto se tornou mais valioso do que vivo, deve haver advogados já trabalhando para garantir que o pós-vida Michael Jackson seja tão lucrativo quanto sua vida real. Isso não surpreenderia Michael."

Nada se cria...

Engana-se quem pensa que Michael Jackson criou o "backslide", ou Moonwalk, como ficou eternizado. O passo é bem mais que um truque inventado do dia para noite. À ele coube o mérito de aprimorar a dança que já fazia parte da cultura negra americana.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Zum zum zum zum

Em outubro, chega às telas do país a saga de Besouro Mangangá, lendário mestre capoeirista baiano eternizado no samba Lapinha de Baden Powell. No filme assinado pelo publicitário João Daniel Tikhomiroff, o personagem ganha status de super-herói e levanta voo, literalmente, graças ao coreógrafo chinês Huen Chiu Ku, que já dirigiu cenas de luta em Kill Bill, Matrix e O Tigre e o Dragão. A influência fica clara no trailer. A julgar pelas sequencias de arranca-rabo, aposto que vai ser um grande sucesso de bilheteria.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Bizarro, bizarro, bizarro

Desde que assisti pela primeira vez o Keyboard Cat, me tornei um fã incondicional desse gatinho. A Pitty, por sua vez, não pode dizer o mesmo sobre Mike Patton. Sorry.









sábado, 20 de junho de 2009

Xico Buark me visita




Em comemoração aos 65 anos de Chico Buarque, completados ontem, decidi ceder este espaço para que uma de suas maiores fãs pudesse falar um pouco de seu objeto de admiração. A tiete em questão não é qualquer uma, trata-se de Clarice Lispector, e o texto saiu originalmente em sua coluna no Jornal do Brasil, em junho de 1971. Na época, Chico tinha acabado de completar 27, e já acumulava um repertório com clássicos definitivos da MPB, incluindo Retrato em Branco e Preto, Roda Viva, Pois É, Apesar de Você, Sabiá e Construção. Nada mal, hein?

"Essa grafia. Xico Buark, foi inventada por Millôr Fernandes, numa noite no Antonio's. Gostei como quando eu brincava com palavras em criança. Quanto ao Chico, apenas sorriu um sorriso duplo : um por achar engraçado, outro mecânico e tristonho de quem foi aniquilado pela fama. Se Xico Buark não combina com a figura pura e um pouco melancólica de Chico, combina com a qualidade que ele tem de deixar os outros o chamarem e ele vir, com a capacidade que tem de sorrir conservando muitas vezes os olhos verdes abertos e sem riso. Não é um garoto, mas se existisse no reino animal um bicho pensativo e belo e eternamente jovem que se chamasse garoto, Francisco Buarque de Holanda seria dessa raça montanhosa.

Gostei tanto de Chico que o convidei para a minha casa. Com simplicidade ele aceitou.

Apareceu perto das quatro da tarde: naquele tempo, às cinco horas tinha uma lição de música com Vilma Graça, e havia um ano que estava estudando Teoria Musical, para depois estudar piano.

Quantos momentos decisivos na sua vida, é muito moço para saber se eram de fato decisivos esses momentos, se no final das contas contaram ou não. Nasceu com a estrela na testa: tudo lhe correu fácil e natural como um riacho de roça. Para ele, criar não é muito laborioso. Às vezes está procurando criar alguma coisa e dorme pensando nisso, acorda pensando nisso ---- e nada. Em geral cansa e desiste. No outro dia a coisa estoura e qualquer pessoa pensaria que era gratuita, nascida naquele momento. Mas essa explosão vem do trabalho anterior inconsciente e aparentemente negativo.

O problema lhe interessa: fez-me várias perguntas sobre meu modo de trabalhar. Eu lhe disse: "Você, apesar de rapaz que veio de cidade grande e de uma família erudita, dá impressão de que se deslumbrou ao mesmo tempo em que deslumbra os outros com sua fala particular: já se habituou ao sucesso? Dá impressão de que você se deslumbrou com as próprias capacidades, entrou numa roda-viva e ainda não pôs os pés no chão ".

Chico acha que tem cara de bobo porque suas reações são muito lentas, mas que no fundo é um vivo. Só que pôr os pés no chão no sentido prático o atrapalha um pouco. Acha que o sucesso faz parte dessas coisas exteriores que não contribuem em nada para ele:

A pessoa tem sua vaidade, alegra-se, mas isso não é importante. Importante é aquele sofrimento de quem procura buscar e achar. Hoje, disse-me, acordei com um sofrimento de vazio danado porque ontem terminei um trabalho.

Falamos do processo de criar de Vila-Lobos e ele contou uma frase dele dita a Tom Jobim: Villa-Lobos estava um dia trabalhando em sua casa e havia uma balbúrdia danada em volta. O Tom perguntou: "Como é, maestro, isso não atrapalha?" Ele respondeu: "O ouvido de fora não tem nada a ver com o ouvido de dentro.” E isso Chico invejava. Também gostaria de não ter prazo para entrega das músicas, e de não fazer sucesso: ele é interrompido nas ruas e nas ruas mesmo é obrigado a dar autógrafos.

Chico tem um ar de bom rapaz, esses que todas as mães com filhas casadoiras gostariam de ter como genro. Esse ar de bom rapaz vem da bondade misturada com bom humor, melancolia e honestidade. Tem o ar crédulo, mas diz que não é, é apenas muito preguiçoso.

Claro que gostou quando o maestro Isaac Karabtchevsky dirigiu a banda no Teatro Municipal, mas o que lhe interessa mesmo é criar. Desde pequeno faz versinhos. Pedi-lhe que fizesse assim de improviso um versinho e que, para pô-lo à vontade, eu esperaria na copa. Daí minutos Chico chamou, rindo: Como Clarice pedisse/ Um versinho que eu não disse/ me dei mal/ Ficou lá dentro esperando /mas deixou deu olho olhando / Com cara de Juízo Final.

Perguntei-lhe se já experimentara sentir-se em solidão ou se sua vida tinha sempre esse brilho justificável. Eu aconselhei que de vez em quando ficasse sozinho, senão seria submergido, pois até o amor excessivo dos outros podia submergir uma pessoa. Ele concordou e disse que sempre que podia dava suas retiradas.

Logo que entrou para Arquitetura, quando começou a trocar a régua pelo violão, a coisa parecia vagabundagem mas depois a família se conformou.

Estava em fase de procura e no dia anterior acabara um trabalho que era só de música, que exigia prazo. Mas para uma canção nova estava sempre disponível. A coisa mais importante para Chico é trabalho e amor, e, como indivíduo, quer exatamente Ter a liberdade para trabalhar e amar. De brincadeira perguntei-lhe o que era amor. "Não sei definir", disse-me, "e você?" " Nem eu", respondi."